quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Cine & Vídeo Tarumã na Luta Por uma Consciência Negra


     


     Na semana em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), o Cine & Vídeo Tarumã, da Ufam, programou a exibição de filmes e vídeos que provocam a reflexão sobre a dívida histórica que temos para com os afrodescendentes. A comemoração é uma conquista do movimento que imprime a luta pela valorização política e social dos negros no país e contra a discriminação racial. Os filmes selecionados são: dia 16, quarta-feira, Besouro, de João Daniel Tikhomiroff; dia 17, quinta-feira, Ôrí, de Raquel Gerber, e Visões de Liberdade, Marya Inês Landgraf; dia 18, sexta-feira, O Negro no Pará, de Afonso Gallindo, A Voz dos Quilombos, de Lelette Coutto, e Vista Minha Pele, de Joel Zito Araújo. Na sessão de sexta-feira, um dos líderes do movimento local, Cacá Bonates, participará de um debate com os freqüentadores.

     O filme de quarta-feira, Besouro, é a dramatização baseada na figura lendária de Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, interpretado por Ailton Carmo, que foi considerado o maior capoeirista de todos os tempos. Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, não havia nem dez anos que o Brasil tinha oficialmente libertado os escravos negros, sendo o último país do mundo a fazer isto. Naqueles tempos pós-abolição, os negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Vinte anos depois, Manoel é um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra. O filme é o primeiro de João Daniel Tikhomiroff e é recheado de cenas sofisticadas de ação.
     Na quinta-feira, 17, serão exibidos os documentários Ôrí, de Raquel Gerber, e Visões de Liberdade, de Marya Inês Landgraf. O filme da socióloga e cineasta Raquel, complementado pelo subtítulo Cabeça, Consciência Negra, é o resultado da produção de 11 anos de filmagens, entre 1977 e 1988, sobre os movimentos negros brasileiros, passando pela relação Brasil e África Ocidental e tendo o quilombo como idéia central de um contínuo histórico. O longa apresenta como fio condutor a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995. Produzido em 1989, teve cópia restaurada e relançamento um ano depois. O vídeo Visões de Liberdade foi produzido para a TV Cultura de São Paulo em 1996 e reúne depoimentos que refletem o preconceito, a marginalização em que vivem os negros no Brasil e seus sentimentos de excluídos da sociedade.
     No último dia de exibições, os curtas-metragens serão acompanhados pelo militante local do movimento negro Cacá Bonates, que, ao final, debaterá as mensagens dos filmes e apresentará as principais bandeiras do movimento em Manaus. A doc-ficção O Negro no Pará, uma produção paraense de 2005, aborda o processo de pesquisa de Vicente Salles e apresenta depoimentos de remanescentes do quilombo de Petimandeua, na região de Castanhal (Pará), pesquisadores e integrantes do movimento negro local. Já o documentário A Voz dos Quilombos, de 2009, foi produzido com o propósito de dar visibilidade aos costumes, necessidades e tradições dos remanescentes de quilombos que vivem na região Médio Paraíba, interior do estado do Rio de Janeiro. Vista Minha Pele é uma ficção premiada, paródia com humor sobre uma história invertida: os negros compõem a classe dominante enquanto os brancos figuram como ex-escravos. Dessa forma, a reflexão sobre o racismo e o preconceito racial flui mais rapidamente na cabeça dos espectadores.
Sempre com filmes de temáticas variadas e boa qualidade, o Cine & Vídeo Tarumã é um projeto de extensão do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas – Ufam, e conta com o apoio cultural da Take Vídeo Locadora e da Reprox Copiadora. 
     As exibições ocorrem no Auditório Rio Negro, localizado no Instituto de Ciências Humanas e Letras – ICHL, Coroado I, Campus Universitário, sempre às 12h30 e com entrada gratuita. Para maiores informações, consulte nosso blog: http://cinevideotaruma.blogspot.com/; a comunidade do orkut (“Cine Vídeo Tarumã – UFAM”); no twitter (http://twitter.com/cinevideotaruma). Ou no grupo do facebook.

0 comentários:

Postar um comentário